Notícias
Goleiro Elvis revela que quase pediu pra ir embora após falha no 1º jogo da final do Acreano
Rio Branco
13.10.2021 - 18:07 - Acre
Foto: Manoel Façanha

O goleiro Elvis, do Rio Branco-AC, é um personagem da conquista do título do Campeonato Acreano pelo Estrelão que foi de vilão a herói em menos de uma semana. Coisas que só o futebol pode proporcionar.

O camisa 1 do Alvirrubro deu rebote na bola que originou o gol da vitória do Humaitá no primeiro jogo da decisão e poderia ficar marcado negativamente, caso o clube não conseguisse reverte a situação na grande decisão. Mas, no segundo jogo, defendeu duas penalidades do Humaitá e contribuiu diretamente para o triunfo diante do Tourão de Porto Acre por 4 a 2, após a vitória de 1 a 0 no tempo normal.

No entanto, a semana até chegar na partida do último sábado (9) não foi fácil. Segundo o arqueiro, o gol sofrido não fez tanto efeito negativo, mas o que foi dito durante os dias pós-jogo pesou. Ele conta que em certo momento pensou em pedir para deixar o clube e questionar os motivos de passar pela situação.

– Sentir a gente fica um pouco sentido sim. Não sinto nem pela falha, mas sinto pelos comentários que, infelizmente, muitas pessoas maldosas fazem. Essas coisas servem de combustível pra mim. Não vou mentir que depois que tomei aquele gol minha vontade era de ir embora, pedir a conta pro presidente e ir embora. E perguntei: Pô Deus, por quê? Por quê comigo? E no meio da semana fui me acalmando, esfriando mais um pouco a cabeça, continuei meditando, orando como sempre fiz, não mudei. Estava muito bem na partida, confiante, continuei orando e crendo que nada é por acaso. A gente fica sentido porque a gente é ser humano, mas graças a Deus o sentimento que a gente tem de culpa, de frustração não tira a minha esperança de acreditar que as coisas vão melhorar – conta.

Segundo Elvis, com o passar dos dias, a confiança foi voltando aos poucos, os treinamentos foram ajudando e o pensamento de que o final poderia ser feliz passou a predominar, inclusive com o desfecho que ocorreu, com o Rio Branco-C vencendo nos pênaltis para conquistar a taça.

– Se eu te disser que realmente eu imaginava isso. Pode até achar que eu esteja blefando, mas imaginava sim. Eu tinha na consciência de que se a gente não conseguisse reverter a situação com certeza a culpa ia ficar sobre mim, mas eu creio no Senhor. No decorrer da semana a gente teve vários dias de treinamentos de penalidades e fui muito bem, tive um aproveitamento muito bom. E numa das cobranças que defendi, do Caíque, vibrei, comemorei da mesma maneira que fui nas defesas (na final), e gritei: é campeão, Rio Branco campeão! Senti um arrepio que eu tava me vendo e pensando: se Deus quiser amanhã vai ser parecido. E eu acreditava que ia dar a volta por cima, não sabia como, mas acreditava sim que se fosse pras penalidades. Estava muito confiante que Deus ia me honrar – ressalta.



– Fico muito feliz, muito grato a Deus por essa oportunidade e de mostrar pras pessoas que a gente não pode ser medido simplesmente por uma partida, por uma atuação – completa.

O título acreano foi o primeiro de Elvis como jogador profissional. Aos 30 anos, ele iniciou a carreira atuando em escolinhas de futebol de bairro no Rio de Janeiro. Fez a base no Americano-RJ, onde foi profissionalizado. Em 2013 chegou a parar de jogar porque a mãe estava doente e ele não estava tendo salário fixo.

Nesse meio tempo trabalhou como office-boy em escritório, ajudante de pedreiro, ajudante de eletricista, camelô. Em 2016 para 2017 sentiu o desejo de voltar e pediu demissão do trabalho. Quatro anos depois está marcado na história do Rio Branco-AC pelas duas defesas nas cobranças de pênaltis na decisão, feitos que ajudaram o Estrelão a conquistar o troféu, que não levantava desde 2018.

– Eu sabia da responsabilidade de jogar no Rio Branco, um clube grande, um dos clubes com mais título no Brasil. É motivo de muita alegria pra mim de ser campeão estadual pelo Rio Branco, um gigante do Norte. Sei que estivesse em qualquer outro clube dessa competição a cobrança seria diferente, não seria igual aqui no Rio Branco. Só a gente sabe o que passamos no decorrer da competição, mas graças a Deus o nosso trabalho foi recompensado. É um título que, com certeza, vai ficar marcado na minha vida. Até se não fosse o primeiro, mas foi muito impactante pra mim, envolveu muitas coisas – exalta.

O Rio Branco-AC ainda tem a Copa Verde como compromisso para esta temporada e Elvis garante que está à disposição para ajudar o clube na competição. Só aguarda a confirmação da diretoria sobre sua permanência.

– Pretendo sim ficar para a Copa Verde. Só preciso agora esperar essa semana a confirmação deles (Rio Branco-AC), ver o que eles vão dizer. A princípio o foco é ficar aqui. Se for da vontade de Deus que eu fique aqui quero continuar e ter oportunidade de disputar competições nacionais e fazer história também – diz.

O goleiro revela que tem como inspiração para a carreira um atleta da posição que ficou marcado na história da Chapecoense, o goleiro Danilo, que faleceu no acidente aéreo com a equipe da Chape em novembro de 2016.

– Já admirei muitos goleiros, mas o que realmente me identifico muito é o Danilo, da Chapecoense, que faleceu. Inclusive, antes de entrar no jogo até vi uns lances dele de pênalti. É um cara que me identifico pela maneira de jogar, pela altura, por tudo. Tenho até uma camisa que pedi para colocar o nome dele em homenagem quando aconteceu o acidente. É um cara que eu era muito fã do trabalho dele, admiro muito – finaliza.

Foto: Sergio Vale
Fonte: Globoesporte.com
 


© Copyright 2004 - 2021 / Todos os direitos reservados ao Futebol do Norte