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Sairo: o tarauacaense que a bola levou para Israel
Bastidores
31.12.2014 - 17:35 - Acre
Foto: Francisco Dandão

A bola redondinha que o menino Sairo Vieira dos Santos, filho do Seu Jacer, jogava nos campinhos de pelada em Tarauacá levava todos a crerem que o futuro dele seria brilhante no mundo do futebol. Habilidoso como poucos e jogando sempre em direção ao gol, em 1989, aos 15 anos, Sairo já era titular da seleção adulta de futebol da sua cidade natal.

A perícia de Sairo era a mesma tanto no futebol de campo quanto no futsal. E assim, a primeira oportunidade de sair do interior do Acre aconteceu através da bola mais pesada. Em 1992, a convite de Domingos Amaral, dono de um time de futsal chamado Piauí, o craque disputou o Campeonato Brasileiro da modalidade, enchendo os olhos da galera.

Um ano depois, em 1993, surgiu o interesse do Rio Branco em contar com o futebol de Sairo. Veio para a capital, a convite do diretor José Macedo, para submeter-se a um período de testes. Acabou não agradando ao treinador José Aparecido Pereira dos Santos, o professor Nino. Retornou, então, para Tarauacá, ingressando nos quadros da Polícia Militar.

A PM acabou sendo decisiva para um novo passo na carreira de Sairo enquanto futebolista. É que o major Gualter Craveiro, fã do seu futebol, deu um jeito de transferi-lo para Rio Branco, levando-o para jogar no Juventus. Casamento perfeito. O atacante jogou pelo Clube da Águia em 1995 e 1996, sagrando-se bicampeão estadual e duas vezes artilheiro.

Aventura pelos campos do mundo

No segundo semestre de 1996, o agora reconhecido artilheiro Sairo foi emprestado ao Rio Branco, pelo Juventus, para jogar a série C do campeonato brasileiro. Mas havia uma cláusula no acordo entre os dois clubes para a rescisão imediata do contrato do jogador, caso aparecesse alguma equipe de fora do Estado interessada em contar com o jogador.

Ele acabou fazendo apenas um jogo pelo Rio Branco. A partida aconteceu em Rondônia, contra o Ji-Paraná. Vitória do Estrelão por 1 a 0, gol do volante Ico. Em seguida, por intermediação do ex-jogador juventino Pingo Zaire, que era amigo de um empresário chamado Mundinho, Sairo foi contratado pelo União São João de Araras (SP) para jogar a Série B.

Pelo time paulista Sairo foi campeão brasileiro, marcando o gol do título, no empate por um a um contra o Náutico (PE). No primeiro semestre do ano seguinte, depois de disputar o campeonato estadual pelo União São João, a saga do jogador ganhou status de aventura internacional e ele foi parar em Israel, para assumir o comando do ataque do Maccabi Herzlya.

Ficou uma temporada no time israelense, transferindo-se no segundo semestre de 1998 para o Futebol Clube do Maia, da segunda divisão de Portugal. Mas permaneceu em terras lusitanas somente até o fim do ano, tendo que voltar às pressas ao Acre para resolver a sua situação funcional na PM (ele estava licenciado e não havia mais como prorrogar a situação).

Várias camisas até o fim da carreira

Resolvida a pendência com a PM, Sairo migrou para Campinas, integrando-se ao grupo de atletas cujas carreiras eram agenciadas pelo ex-jogador Careca. Aí sobrevieram duas frustrações, materializadas pela não concretização de negócios com o São Paulo e com o japonês Kashima Antlers. Em ambas as ocasiões, Careca pediu muito alto pelo seu passe.

Depois de treinar por um mês em Campinas, não aguentando mais ficar parado, pediu para jogar em qualquer lugar. E aí foi parar no São Luís, de Ijuí. No segundo semestre de 1999, nova mudança. Dessa vez para o Bragantino (SP), onde disputou o campeonato brasileiro da série C. Retornou em 2000 para o Maccabi, onde sofreu grave contusão no joelho.

Para continuar jogando, Sairo teve que fazer uma cirurgia no joelho. A recuperação levou quase um ano. Só no final de 2001 é que ele pode voltar a campo. Mas já rondava a sua cabeça a ideia de parar com a bola. Mesmo assim, ainda teve tempo de vestir quatro camisas: São José (RS - 2001), Tubarão (SC - 2002), Ulbra (RS - 2002) e Juventus (AC - 2003).

Em 2004 Sairo voltou definitivamente para casa, onde tratou de constituir a própria família (ele é casado com D. Lidiane e pai das meninas Laíza, Luna e Cecília) e, algum tempo depois, tornou-se funcionário público (ele trabalha como agente penitenciário). Mas ainda teve tempo para disputar o campeonato de 2007 pelo Náuas, marcando nove gols.

Fonte: Francisco Dandão (Publicado originalmente em Futebol Acreano em Revista – Dezembro de 2014)
 
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